Arquivo da categoria ‘Resenhas’

11 de Setembro 11’09”01

Maio 9, 2008

11 de Setembro (11’09”01 September 11, França, 2002) é um filme dividido em vários episódios, mostrando pontos de vista de diferentes diretores de cinema, importantes em cada país de origem.

O episódio em questão, dirigido pelo consagrado diretor egípcio Youssef Chahine, conta a estória de um diretor de cinema, também chamado Chahine que vê e conversa com o fantasma de um marinheiro americano, morto em um atentado em Beirute.

No filme, o diretor trás questões sobre os motivos pelos quais existem atentados contra os alvos americanos. Mostra as várias operações dos Estados Unidos e as suas conseqüências, em várias partes do mundo. Assim como leva o fantasma a uma casa de um kamikaze palestino e o vêem preparar-se para um ataque à bomba.

Ao ser perguntado pelo fantasma, sobre o motivo pelo qual os civis são atacados, o diretor responde que os países em questão são democráticos e não são inocentes. São responsáveis pelo governo que elegem. O abjetivo deste episódio é mostrar como o 11 de Setembro está conectado à crise na Palestina.

Ao final, há uma breve homenagem aos soldados americanos mortos, onde o diretor é levado a um cemitério militar nos Estados Unidos. O filme é repleto de provocações e Chahine não perde tempo escondendo suas idéias. Ele as expõe abertamente.

O Filme 11 de Setembro Recebeu uma indicação ao Cesar, na categoria de Melhor Filme da União Européia e ganhou o Prêmio UNESCO e o Prêmio FIPRESCI de Melhor Curta-Metragem (segmento Reino Unido), no Festival de Veneza.

Igor Xavier

Oficina D’idéias

Uma Casa No Fim do Mundo

Fevereiro 24, 2008
A Home At The End Of The World

Uma Casa no Fim do Mundo (A Home At The End Of The World, 2004) narra a história de Bobby ( Erik Smith) e Johnny (Harrys Allan), dois amigos de infância que se encontram, pela primeira vez, na escola, em Ohio, e se tornam inseparáveis. Johnny descobre no não muito convencional Bobby a libertação para um mundo mais amplo. Já o Bobby vê em Johnny e sua família, uma estabilidade que ele nunca teve, o que se torna muito aparente na relação com Alice (Sissy Spacek), mãe de Johnny. Os protagonistas, então, se tornam mais que amigos, quase irmãos, e acabam por descobrirem juntos a própria sexualidade.

Os amigos se separam e se reencontram vinte anos depois, em 1980, quando conhecem Clair (Robin Wright Penn) que havia planejado ter um filho com Johnnathan - agora assumidamente gay- mas passa a ter um relacionamento amoroso com Bobby. Deles nasce Rebecca, e Bobby e Clair se mudam para o campo, juntamente com Johnathan.

O trio forma um tipo diferente de família, questionando as definições tradicionais, e passam a ter complicações provenientes desta relação a três.

Vale ressaltar a perfeita trilha sonora do filme, que tráz, como canção principal, “It’s Gonna Take  A Miracle”, de  Laura Nyro, a canção mais carregada de emoções já gravada.

Harrys Allan (Johnathan) teve sua participação no seriado americano Queer As Folk (Os Assumidos) como James Hunter, o filho adotado do casal homossexual Michael Novotny (Hal Sparks) e Ben Bruckner (Robert Grant). Curiosamente, no seriado, Hunter é soropositivo, o que parece evidente no personagem do mesmo ator em “Uma Casa No Fim Do Mundo”, onde a doença começa a se manifestar ao final do filme.

“A família é o que você quer que ela seja”.

Igor Xavier

Oficina D’idéias

Crianças Invisíveis

Fevereiro 22, 2008
Crianças Invis�veis

CRIANÇAS INVISÍVEIS (All The Invisible Children, Itália, 2005 - realizada em parceira com a Unicef) – Uma grandiosa obra cinematográfica que nos transporta para vários cenários mundiais na velocidade que somente o cinema consegue. Crianças Invisíveis é dividido em curta-metragens mostranto, temáticamente, a infância sobre o ângulo da miséria. Dentre as histórias, as mais marcantes são:

 

Tanza (roteiro de Mehdi Charef): gravado em inglês, mostra a história de um garoto que se junta a uma guerrilha em um país não definido na África. Sonhando com uma realidade muito diferente da sua, com escola e brinquedos que não fazem parte de seu cotidiano.

Blue Gipsy (Emir Kusturica): Narra a história de um garoto de um internato inglês para delinqüentes que está há um dia de ser libertado. Ao contrário de alegria, o medo existe em sua face, uma vez que o mundo lá fora é mais difícil que o dia-a-dia no internato. E seus pais o obrigam, assim como a seus irmãos, a efetuar furtos pela cidade.

Jesus Children Of America (Spike Lee) – Mostra a história de uma garota que vive no Brooklyn, que descobre ser herdeira do vírus da AIDS. O preconceito é o ponto alto no episódio, o que demonstra que nem mesmo as crianças e sua inocência, estão imunes a essa doença social.

Bilú e João (Kátia Lund) – Mostra a infância pobre de dois irmãos brasileiros que precisam, de alguma forma, conseguir dinheiro para terminar a construção de um barraco. Mostra os problemas e perigos que enfrentam ao saírem para o trabalho, e que nem sempre podem voltar para casa ao fim do dia. E, todo seu trabalho não é valorizado, como mostra o final marcante.

Uma obra que vale a pena ser vista.

 

Igor Xavier

Oficina D’idéias